E se fosse com você?

*Por Juliet Matos, mas poderia ser qualquer mulher cansada

Já parou pra pensar como seria ruim andar na rua sendo constantemente avaliado? Já imaginou como seria sua vida se você tivesse que andar na rua recebendo nota por sua anatomia ou por seus modos, pela roupa que usa? Consegue se ver em uma realidade onde tenhas que andar de cabeça baixa, evitar olhar as pessoas à sua volta por medo do que isso possa causar? Ter que ouvir gracinhas sobre tua roupa, teu cabelo, tua bunda? E quando você se cansasse disso e reclamasse, fosse rechaçado sendo considerado ‘exagerado’, ‘fresco’, ‘mal amado’?

Talvez você ainda não tenha se dado conta, mas eu te pergunto: e se fosse com você?
Pois aqui vai um recado de uma feminista cansada: se toca, cara! Não dê ‘psiu’ pra mim na rua! E não, a gente não gosta disso. E não, dificilmente alguma mulher vai subir na garupa da sua moto, ou entrar no seu carro porque você a chamou desesperadamente de gostosa no meio da rua. Porque o mínimo que dá pra pensar quando isso acontece é que você não tem o menor domínio sobre o tema ‘mulher’.

E para quem acha que é frescura: convido-te a ir à merda! É minha vida, é meu corpo, é minha liberdade! Não quero passar a vida assustada, desconfiada, de cabeça baixa com medo de olhar pras pessoas e elas acharem que por isso eu estou respondendo à algum tipo de provocação! Não quero ter que mudar meu estilo de roupa para que você me ache digna. Não me diga como eu tenho que me portar para ser respeitada. Eu mereço respeito e ponto! Convido-te a me deixar em paz. Obrigada!

Juliet Matos é uma mulher cansada. Mas em meio a tanto desaforo cotidiano, consegue dar uns suspiros feministas.

Clenilson Capú Batista fala ao Empate: todos nós somos geniais!

A gente pode começar pelo seguinte: o que é a realidade? Pra terem exemplo: tem um rio de água correndo. Tem um cara que vai lá todo dia pescar. Tem uma pessoa que vai lá todo dia pegar água. Tem uma pessoa que vai todo dia lá correr, brincar, que são as crianças. Então o rio é só um monte de água correndo mas para cada um daqueles tem um significado diferente. Pro que vai pescar é um prato de comida. Pra mulher que vai pegar água todo dia é um amigo que ajuda a passar pano, lavar louça, cozinhar a comida. Pra criança é a parte da diversão. Mas o rio é só um bocado de água correndo, só que pra cada um daqueles tem um significado diferente. Pra quem vai pescar, é um prato de comida. Pra criança que vai brincar é um parque de diversão. E mulher que vai pegar água vê o rio como amigo.

Mas o rio é só um monte de água. Nós viemos todos da mesma fonte, uma fonte pura e cristalina. Só que no nosso percurso nós vamos sendo poluídos com conceitos, preconceitos, normas, certo, errado, bem, mal, um monte de coisas. E aí a gente sai de dentro desse rio e começa a dar significado pras gotinhas que estão lá dentro. Você chama prefeito, governador, juiz, presidente, não sei o quê: não existe nada disso. Tudo isso é fruto da nossa imaginação. Essa realidade não existe, então nós temos que fazer uma limpeza ecológica dentro do nosso psicológico e tirar essas personagens imaginárias da cabeça, esses valores imaginários, psicológicos pra poder realmente fazer a transformação que nós queremos não só no Brasil como no mundo inteiro. É isso que nós precisamos: uma reflexão profunda sobre a questão da vida.

O que eu estou colocando aqui é uma proposta pra você parar e pensar e ver: que porra de manicômio é esse que a gente tá vivendo dentro? Isso aqui é um manicômio, todo mundo brigando por papel numerado. Se você não tem papel numerado, o cara diz que tu não é porra nenhuma e você passa a viver como se não fosse porra nenhuma. E na verdade não é isso véi: todos nós somos geniais. Todos nós somos geniais e temos força suficiente pra fazer o que a gente bem entender. Mas pra isso você tem que acreditar, como eu acredito. Se você acreditar como eu acredito nós vamos transformar isso.

Uma tribo forte, superior e independente tem que ter nativos fortes, superiores e independentes. É assim que nós vamos transformar o mundo. É assim que a gente vai fazer com o mundo! Então isso aqui é um movimento que só tá começando, isso aqui chama-se era das àguas. Você é um rio, você é uma àgua, mas você tem que tirar a poluição de dentro de você. Tem que jorrar como àgua viva, como pede o Cristianismo, a doutrina cristã. Jorrar como água viva! Água viva é água sem poluição. Você despoliu o seu rio, eu despoluo o meu, e a gente faz disso aqui um ribanceiro de água. E a gente vai fazer um novo dilúvio na terra. É isso que a gente vai provocar: uma grande transformação. Era de aquários. É isso! Era das águas. Paz e amor ainda, a gente continua acreditando que existe paz e amor, porquê paz e amor nunca morreu. Aí chega um maluco lá e diz que paz e amor acabou, que o sonho acabou, o sonho de quem companheiro? A gente sempre quis paz e amor e continua querendo. É isso que a gente quer e é por isso que nós vamos lutar.

Clenilson Batista  

Pioneiro do rock acreano, Clenilson fundou a primeira banda acreana de rock autoral, o grupo Capú. 30 anos de estrada no seringal astral e nunca aprendeu a obedecer.

Primeira ocupação do cacimbão da capoeira. 11. 08.2013