
Nem parece que faz mais de um mês que o Empate começou a circular como Zine impresso por Rio Branco. Pouco tempo que parece uma eternidade. Deu tempo de tudo. De ter gente parando no meio da rua perguntando se pode escrever pro zine, gente elogiando a iniciativa, teve gente criticando e até gente dizendo que o zine era comprado.
Na verdade, teve um monte de gente dizendo que o zine é comprado, só ainda não decidiram quem paga as contas. Alguns ficaram entre dizer que o zine era da oposição, outros da Marina Silva e já teve até gente espalhando por aí que o zine foi comprado pela Frente Popular do Acre. Mas na verdade ninguém veio perguntar para gente quem paga as contas. A resposta? Nós mesmos.
Nós achamos bem difícil a FPA ou a oposição pagar qualquer um que fale tanto sobre sustentabilidade e meio ambiente, porque nenhum deles estão realmente preocupados com isso. Quanto a Marina Silva? Bom, tem três ‘enredada’ na equipe, mas elas são voluntárias. Ate a última vez que checamos, voluntariado é exatamente quando a pessoa não recebe para trabalhar.
E mesmo que qualquer um deles quisessem pagar, a gente não ia aceitar por um simples motivo: não estamos a venda.
Mas falaram tanto que a gente tava querendo só promover a Marina Silva que a gente pensou… Mas não é que ela combina com o nosso projeto? A gente pode não receber dinheiro mas adora receber conselho. Então chamamos uma das pessoas que participou dos Empates, lá dos seringais, para falar sobre os empates que agora são virtuais. E ela topou!
E quanto quem vai pagar nossas contas? Bom, cada um já arrumou seu emprego ou sua pensão alimentícia para se virar. E as contas do zine é você, leitor, que paga. Toda vez que você faz uma doação ou compra um zine, você está ajudando a pagar as contas de impressão e divulgação.
Acho que tem tanto tempo que não tinha uma iniciativa independente na cidade que o pessoal esqueceu o que isso significa. É assim ó gente: somos cinco amigos com vontade de colocar as nossas idéias pra jogo. Fizemos vaquinha na internet, recebemos umas doações. Gastamos o nosso dinheiro, também. O design foi pensado pra ajudar nesse nosso jeito vira-lata de fazer imprensa, inclusive: o projeto é desde o início pensado para ser feito em folha A4, xerocado (e ficou lindo! Não ficou?). Mais simples e baratinho, não dá. Os dois reais que cobramos pelo zine rendem o suficiente pra gente colocar o próximo pra rodar.
Viu? Não tem mistério. Achamos importante escrever e desenhar arte, subversão, sustentabilidade. Nos unimos, viramos noites escrevendo, pintando, fazendo revisão. Grampeamos muito zine, quase botamos o designer doido, carregamos muito papel (reciclado!) debaixo do sol. Perdemos textos valiosos por cataclismas tecnológicos. Escrevemos em tudo, no meio de shows, em guardanapo, o texto capixaba inclusive foi escrito no celular. Abrimos mão de algumas coisas, ganhamos muitas outras. Essa catarse confusa, trabalhosa e maravilhosa que é juntar gente com o propósito de falar livremente.
A gente segue o ensinamento político do Chico Mendes: fazer o máximo usando o mínimo.
Se mais gente lembrasse como é simples fazer as coisas, sem ter que sempre recorrer a um barracão para contrair dívidas simbólicas, a gente não estaria nessa estagnação política doida no Acre.
Até lá nós vamos andando. Já diria o outro Chico, dessa vez o Science: um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar!