Do quase nada

Imagem

foto: Iara Vicente

Do símbolo intenso da escuridão,
do desprezo, e ao mesmo tempo da resistência e da beleza,
faz-se a leitura quase subliminar do sensível desejo de paz.

Num corpo crú, sem marcas corais,
Vê-se a imagem de um ato supra de sensibilidade e fraternidade.

Num corpo crú, sem marcas forjadas,
Lê-se o símbolo indelével do movimento de todas as formas de amar.

Num corpo crú, sem marcas tangíveis,
Imagina-se o inimaginável tocar o infinito fluir quase astrológico do sentir-se vivo.

Num corpo crú, sem marcas astrais,
Flutua-se no desejo antropológico de ser o seu próprio Ser.

Num corpo crú, nú, só,
Constrói-se a poesia do ser puro, simples e solitário.

Do corpo crú, nú, só,
tira-se a verdade, a inocência e a liberdade de estar, apenas estar.

Dum corpo, dum copo, duma caneca, eu tiro a poesia.
Duma caixa, duma árvore, duma porta, eu tiro a poesia.
Duma vida, duma morte, duma sorte, eu vivo a poesia.

Teddy Falcão

Tem montado cineclubes, mostras, semeado arte e coletividade pela cidade toda. É cineclubista e ainda pensa em pilotar avião.